Saiba como foi criado o União Brasil, partido resultado da fusão entre DEM e PSL

O PSL e o Democratas formalizaram a fusão entre os partidos nesta quarta-feira (6), e a criação do União Brasil. A nova agremiação já nasce com expressivo número de mandatos e acesso a grande fatia dos fundos eleitoral e partidário para 2022. O antigo partido de Jair Bolsonaro já desenhava uma união do tipo desde junho desse ano. Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, durante um jantar realizado no início de junho, em São Paulo, lideranças do PSL e do MDB, incluindo o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o líder nacional do PSL, deputado Luciano Bívar, teriam encaminhado apoio a uma candidatura única para a Presidência da República.

Na época, a ideia era apostar na chapa formada pela senadora Simone Tebet e no apresentador José Luiz Datena, ambos filiados ao MDB até aquela data. Contudo, Datena havia sinalizado interesse em se lançar para o Senado Federal, o que colocaria o próprio Bívar como alternativa para vice de Tebet.

No mês posterior, Datena se filiou ao PSL e voltou a ser cogitado como candidato da “terceira via” pela direita. A articulação para a chegada dele ao novo partido foi organizada pelo próprio Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que buscava isolar a ala bolsonarista mais resistente do antigo partido de Bolsonaro, liderada, principalmente, pelo filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Outra ala do PSL já falava numa possível junção dos partidos, fosse com MDB ou com outra agremiação. Neste caso, havia como complicações a proximidade do Movimento Democrático Brasileiro com Lula e PT em disputas estaduais, como ocorre em Alagoas, com Renan Calheiros. Até aí, o DEM também já participava entre as possibilidades.

O PSL também era cortejado pelo Progressista e Podemos. Isso porque a legenda abriga a segunda maior bancada no Congresso, após as eleições de 2018 e a onda bolsonarista que fez a agremiação pular de 1 para 54 deputados federais eleitos.

Até julho, a expectativa era que, além do DEM, o Partido Progressista também se unisse ao PSL para a formação de uma sigla única. Os três partidos do chamado Centrão aglomerariam 121 deputados e 15 senadores, formando a maior bancada do Congresso Nacional. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se animou com a ideia, pois poderia se filiar à nova agremiação para a disputa de 2022.

A participação do PP na união era orquestrada pelo presidente licenciado da sigla e ministro da Casa Civil Ciro Nogueira. Contudo, houve resistência nos diretórios estaduais. No Nordeste, lideranças da agremiação estão dispostas a apoiar a chapa formada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já no Sudeste, haveria grande resistência à aproximação com o atual presidente da República.

Em setembro, a parceria fechada somente entre DEM e PSL já era anunciada, mas sem nome oficial para a nova legenda. Nesta quarta-feira, a fusão foi oficializada para a criação do União Brasil, nome que surgiu a partir de pesquisas qualitativas feitas pelos partidos. O número na urna será o 44 e a expectativa é lançar candidatura própria para a Presidência da República, como alternativa a Bolsonaro e Lula em 2022. O partido, no entanto, só existirá oficialmente após aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que deve ocorrer até fevereiro do próximo ano.

A expectativa é de que existam dissidências, principalmente na ala mais bolsonarista do PSL e entre os apoiadores do presidente no DEM. Eles podem sair do novo partido sem perder o mandato.

 

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