Reverendo que negociou vacinas em nome do Governo Federal chora durante CPI da Covid

O reverendo Amilton Gomes de Paula prestou um confuso depoimento nesta sexta-feira (3), durante as sete horas, à CPI da Covid no Senado. Por mais de 20 vezes, ao ser questionado, ele disse não se lembrar de reuniões, mensagens e fotos produzidas há poucos meses, no primeiro semestre deste ano.

Ao longo do depoimento, Amilton Gomes chorou, disse que a instituição comandada por ele tinha interesse humanitário na negociação de vacinas e confirmou que a entidade receberia doações, caso o Governo Federal fechasse negócio com a Davati Medical Supply para a compra de imunizantes.

Os senadores classificaram o depoimento de “conversa fiada”, disseram que o reverendo tinha interesses financeiros, afirmaram que ele mentiu à CPI e o chamaram de estelionatário. Em vários momentos, os membros da CPI questionaram se o reverendo estava tentando proteger alguém no depoimento, mas Amilton não respondeu.

Amilton Gomes é fundador de uma entidade privada chamada Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah). O reverendo é considerado uma peça-chave na investigação da CPI, que tenta esclarecer como o governo brasileiro negociou a aquisição de imunizantes por meio de intermediários.

Amilton Gomes participou de negociação para uma suposta venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca, em um momento de escassez de doses de imunizantes em todo o mundo. Até agora, nenhum dos envolvidos fornece acesso real às doses – o laboratório diz que não negocia com intermediários.

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