Eleições 2022: Presidenciáveis abrem guerra pelo voto nordestino

Ganhar a eleição significa conquistar o Nordeste. Segundo maior colégio eleitoral do País, com mais de 40 milhões de eleitores, a região desempenha um papel-chave no pleito. Isso favorece o atual líder das sondagens, Lula, que sempre soube capitalizar politicamente sua alcunha de “filho de Garanhuns”. O petista bateu os 60% de votos na região em 2002 (nunca um político tinha alcançado essa marca em nenhuma região).

O Nordeste foi a única região em que o PT derrotou Bolsonaro no segundo turno, com 69,7% dos votos válidos. Mesmo na sua pior fase, o PT tem quatro governadores locais (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte), além de dois aliados próximos do PSB em Pernambuco e no Maranhão.

Bolsonaro sabe que depende do Nordeste para ganhar um segundo mandato, mas continua agindo de modo errático. Precisa superar o prejuízo de imagem com o desdém que mostrou nas enchentes na Bahia. Na oportunidade, preferiu continuar se divertindo em Santa Catarina. Agora, ele planeja mergulhar na região e escolheu exatamente uma das bandeira de Lula, as obras de transposição do Rio São Francisco, como primeiro evento. É apenas a primeira de uma série de inaugurações na região. Mas a principal aposta é exatamente outro símbolo da era petista, o Bolsa Família, agora rebatizado de Auxílio Brasil.

O presidente não consegue fortalecer laços políticos, apesar de ter se aliado a caciques locais do Centrão. E já enfrenta defecções. O presidente do PP em Pernambuco, deputado Eduardo Fonte, não esconde que apoiará Lula, mesmo que isso contrarie os líderes do seu partido: o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, Arthur Lira. Segundo pesquisa SENSUS/ISTOÉ realizada em novembro, a pior avaliação do governo Bolsonaro é justamente no Nordeste (17,6%), contra uma média nacional de 23,5%.

O cientista político Adriano Oliveira considera que os bons números de Lula refletem a percepção ainda presente de que o petista levou o Estado para uma população que via o governo ausente. Ele pensa que hoje Ciro Gomes seria o candidato natural da região, não fosse a volta de Lula à corrida eleitoral. Mas o pedetista, cuja família tem forte base eleitoral no Ceará, tem perdido espaço nas articulações com outros partidos.

A busca estratégica pelo voto nordestino também mobiliza os outros pré-candidatos. Filho de pai baiano, João Doria, diz que iniciará sua campanha pelo estado. Durante as prévias do PSDB, Doria visitou vários estados e falou sobre a obra da Transnordestina, uma ferrovia que ligará os portos de Pécem (Ceará) e Suape (Pernambuco).

Com menos vivência na política, o ex-juiz Sergio Moro escalou o deputado Julian Lemos (PSL) para ciceronear sua visita à Paraíba, no início de janeiro. Lemos foi o coordenador da campanha de Bolsonaro no Nordeste, em 2018, mas hoje é seu desafeto. Em fevereiro, Moro irá ao Ceará, Sergipe e Piauí. Moro já tomou um banho de povo e vestiu um tradicional chapéu de coro em visita à região.

Os eleitores nordestinos têm ainda uma influência que reflete em outras regiões. Os migrantes espalhados por todo o País mantêm uma ligação sentimental muito forte com sua origem e familiares que ficaram. Realizações que impactam na região mobilizam os votos dos parentes que, por vezes, sonham em voltar a morar na terra natal. Por enquanto, Lula está ganhando a luta pelos corações e mentes dos conterrâneos. (IstoÉ).

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