Conflitos políticos marcam relações de governadores e vice-governadores em 11 estados

As fotos da posse, com governadores e vices unidos para quatro anos de mandato, já amarelaram em ao menos 11 Estados, onde a aliança vencedora nas urnas está rachada ou no mínimo estremecida. A pandemia do novo coronavírus, somada a posições opostas nas eleições municipais do ano passado, provocou rompimentos públicos, ameaças de impeachment e disputas internas por poder.

Em Santa Catarina, a vice Daniela Reinehr (sem partido) anunciou o “fim da dupla” por meio de uma carta de cinco páginas enviada ao governador Carlos Moisés (PSL) e tornada pública. “Vossa Excelência desfez a chapa tão logo sentiu-se eleito, colocando-se como único representante à frente do governo estadual”, alegou no texto de junho de 2020.

Mesmo sem anúncio oficial, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e seu vice, Carlos Almeida Filho (sem partido), estão hoje em lados opostos. Após notícias apontarem possível irregularidade na compra de respiradores para pacientes com covid-19, no auge da primeira onda, Filho declarou guerra a Lima e deixou o cargo de chefe da Casa Civil.

No Estado vizinho, o vice-governador do Acre, Major Rocha (PSL), também faz as vezes de opositor à gestão Gladson Cameli (PP). Mas, neste caso, o motivo do rompimento, em meados de 2020, não foi a pandemia, mas uma disputa interna de poder. Aliados do vice e da irmã dele, a deputada federal Mara Rocha (PSDB), perderam espaço na máquina estadual.,,

Entre os eleitos em 2018, a chapa Antônio Denarium (PSL) e Frutuoso Lins (Rede), de Roraima, foi a que se desfez mais rápido. A relação entre o governador e o vice é apenas institucional desde agosto de 2019 e por motivos essencialmente partidários. Denarium, como esperado, apoia o governo Jair Bolsonaro; Frutuoso, por sua vez, faz críticas duras especialmente sobre a ação federal ao longo da pandemia.

A influência da gestão Bolsonaro no Rio foi ainda mais clara. Alvo de ataques do presidente, o governador eleito, Wilson Witzel (PSC), sofreu impeachment por desvios na pandemia. O vice e atual governador, Cláudio Castro (PL), participou de todo o processo de forma habilidosa. Castro conseguiu realinhar o Palácio Guanabara ao governo federal e ainda montar uma base parlamentar a ponto de Witzel não receber sequer um voto favorável em todas as etapas do processo de afastamento.

Com a “união desfeita” nem todos os vice-governadores permaneceram no cargo. Dois substitutos renunciaram. São eles: Luciano Barbosa (MDB), que deixou a gestão Renan Filho (MDB), em Alagoas, para disputar e vencer o comando da prefeitura de Arapiraca; e Lúcio Vale (PL), indicado pelo governador Helder Barbalho (MDB), do Pará, a ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado.

Já em Mato Grosso do Sul, a relação entre o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e o vice Murilo Zauith (DEM) é apenas formal depois que o tucano resolveu, em janeiro deste ano, exonerar Zauith do cargo de secretário estadual de Infraestrutura.

Em ao menos três Estados, governadores e vices mantêm a cordialidade e o discurso eleitoral em eventos públicos, mas, nos bastidores, a relação está estremecida. Minas é exemplo. Quando o vice-governador, Paulo Brant, anunciou sua desfiliação do Novo, em março de 2020, todos davam como certo o rompimento com o titular da chapa, Romeu Zema, e com direito a manifestações acaloradas.

Na Paraíba e em Mato Grosso, notícias de afastamento entre aliados também são constantes. Em ambos os casos o motivo é a política local. A relação do governador Mauro Mendes (DEM) e do vice-governador Otaviano Pivetta (PDT), por exemplo, deu uma esfriada em setembro do ano passado, quando houve eleições suplementares para o Senado, para preenchimento da vaga deixada pela senadora Selma Arruda (Podemos), cassada pela Justiça. Pivetta tinha se apresentado como candidato, mas o governador decidiu apoiar Carlos Fávaro (PSD), o que levou o vice a desistir da candidatura em cima da hora. (O Estado de S. Paulo).

 

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