Bolsonaro terá que arbitrar disputas regionais entre ministros e aliados para as eleições

Apesar do risco de perder apoio em alguns estados – até mesmo de políticos ligados ao Centrão –, o presidente Jair Bolsonaro terá que arbitrar algumas disputas regionais entre ministros e aliados que desejam concorrer aos mesmos cargos.

Um dos casos mais delicados é o do Rio Grande do Sul. Aliado de Bolsonaro desde antes de a chapa presidencial ser vista como viável, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) há muito demonstra o desejo de ser candidato do bolsonarismo ao governo estadual. Só que há outro nome também na disputa: o do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que se notabilizou defendendo o governo – e o kit Covid – na CPI do ano passado.

Há mais de um ano, integrantes do governo tentam demover Heinze da empreitada. O próprio presidente Jair Bolsonaro já teve uma conversa com ele sobre isso. Ao G1, Heinze afirmou que vários ministérios já foram ofertados a ele. Atualmente, o governo oferece a cadeira de ministro da Agricultura – já que a deputada Teresa Cristina (DEM-MS) irá deixar a pasta no fim de março para concorrer em outubro.

“Eu falei ao presidente Bolsonaro que ele terá, com prazer, dois palanques no Rio Grande do Sul. Eu não vou desistir. Já falei para todos os ministros que me abordaram desde agosto. Não quero ser ministro da Infraestrutura, da Agricultura. Vou ser governador”, diz Heinze.

O PP é um dos partidos com mais tradição do Rio Grande do Sul. Tem mais capilaridade que o DEM – atual partido de Onyx – e que o PL – para onde o atual ministro pode migrar para acompanhar Bolsonaro.

Outro impasse a respeito do apoio de Jair Bolsonaro é a corrida pelas candidaturas ao Senado no Rio Grande do Norte. Dois ministros atuais, Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações), querem a vaga de “candidato do governo”. Em 2022, cada estado elege apenas um nome ao Senado – as outras cadeiras serão renovadas em 2026. Segundo pessoas próximas dos ministros, a intenção de ambos é debater e chegar a um acordo próprio, sem que Bolsonaro precise fazer a escolha.

Nesta quinta-feira (3), Bolsonaro afirmou que 11 ministros vão deixar seus cargos para concorrer nas eleições de outubro. O presidente tem estimulado assessores e apoiadores a se lançarem na política para engrossar palanques e, em caso de reeleição, garantir apoio no parlamento. O G1 apurou, entretanto, que o número de ministros que estudam buscar um cargo eletivo nas eleições de outubro pode ser ainda maior. (G1).

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